
Que estranho fascínio exerce a Internet nos espíritos inquietos. O que nos inspira a lançar garrafas nesse mar eletrônico? Inscrever nas estrelas, deixar um fio de ouro neste labirinto sem portas... Mensagens grafando nossos sonhos, apreensões, reflexões insones, perplexidades... Nótulas lavradas para tão poucos, quem sabe quem? Para quê?
Falamos para nós mesmos na esperança de que nossa voz sobreviva na memória dos outros? Potência de cognoscibilidade? Publicidade organizada de sonhos?
A Internet é o registro que gera presunção de conhecimento de nossa existência. Afinal, quod non est in retes non est in mundo, diria um amigo querido, recuperando os sinais da tradição.
Essa presunção de vida e sonhos é relativa, como sei! Quantos de nós não perambulamos pelas paragens eletrônicas exauridos de espírito - fastasmagorias, simulacros de vida projetados em bilhões e bilhões de elétrons zunindo em redes pós-neuronais, pocurando, à imagem e semelhança de seu criador, recriar-se e armar-se de espírito e virtude... Este que fala por mim, quem sou?
"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (...)
Parece meu velho pai - que já morreu!"
(...)
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
O que fizeste de mim?! "
[a imagem é do Dr. Julien Clinton Sprott - http://sprott.physics.wisc.edu/sprott.htm, Professor de Física da Universidade de Wiscosi. O Excerto do poema Espelho é de Mário Quintana]
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