sábado, dezembro 10, 2011

D. Anéris

Na sexta-feira estive na saída das aulas. Era o último dia da D. Anéris à frente do nosso jardim.

Disse para a Blyan (para quem não sabe, a Tânia), parafraseando Milton Nascimento: "o trem que chega é o mesmo trem da partida"...

Cumpria dizer algo para nós mesmos. Como vocês sabem, ela, a Blyan, chora na chegada, na partida... e se bobear, soluça mesmo no percurso, dependendo da paisagem!

Compreendemos, naquele momento, que a vida é um contínuo movimento. Chegamos e partimos, sempre. Se é possível dizer-se isso, chegamos e partimos et pour cause, continuamos, cada vez mais, nós mesmos! Uma partida é sempre a chegada a nós mesmos por intermédio do outro que parte...

D. Anéris amorosamente insinuou-se em nossas vidas com a tranquilidade de um grande rio que avança sobre a planície.

Nosso primeiro contato foi logo na entrevista. Nunca vou me esquecer daquele olhar profundo, atento, suave, que logo revelaria a vocação deste historiador distraído. (Trazia um livro de história antiga no colo. Nunca se sabe quão "emocionante" vai ser uma entrevista escolar... Ela logo percebeu e registrou que havia lido aquele autor quase esquecido). Bingo! A partir dali, nunca mais deixaria de me encantar com a sabedoria daquela mestra. D. Anéris foi a face revelada dos anjos que guarnecem aquela província do Espírito.

Há certos detalhes que elevamos à categoria de verdadeiros signos na tentativa desesperada de emprestar um sentido humano a essas estranhas coincidências da vida. Nossos encontros nunca são vazios - ainda que não consigamos penetrar no mistério que fundamenta cada chegada e cada partida. Um bom livro de história clássica sempre poderá ser um bom motivo!

D. Anéris segue serena e tranquila a trajetória de um grande Rio. Penso que já não importam quantas chegadas e partidas, tantas idas e vindas. Nossa humanidade se confirma nessa troca essencial que há de durar até quando deva durar.

E já sobre isso me calo.

domingo, março 13, 2011

Tocoveleiras

O pequeno Nini estreia a sua nova bici, azulíssima, brilhante, como devem ser todas as coisas do Nini. Ele tem uma especial capacidade para gostar das coisas belas.

Ele não se continha. Queria sair às ruas para curtir a nova magrela, mas a chuva parecia não arrefecer neste final de semana de chuvas estivais.

Depois de descer a Duarte Moniz Barreto a toda velocidade o pequeno se deu conta de que o papi o divisava com um olhar de censura.

- Papi, esqueci das tocoveleiras...
- O quê?
- ... esqueci das tocoveleiras.

Ele queria certamente dizer "cotoveleiras" mas o que saiu foi essa palavra engraçada, dentre tantas outras que eu ainda vou registrar aqui.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Guintor, el perro pampero


Guintor. Isso é nome de cachorro? É sim!

Começou assim: a Lelê encontrou um cão vagando pelas alamedas do Hotel. Com sua especial capacidade para lidar com os animais, atraiu-o para perto de todos nós e lá estava ele, folgando como se nos conhecesse desde pequeninos, o Guintor.