segunda-feira, junho 09, 2008

Junia - o relâmpago é azul

A paixão é como um relâmpago azul

Sim, havia as estrelas vespertinas, em eterna disputa no vasto nankin celestial.

Uma delas, por sinal revelado, era uma pequena e tímida guria. Era bailarina. Figurava no corpo de baile do Municipal. Na última vez que a vi, já casada, emprestei-lhe um livro enigmático (O-Que-Sabe: Eclesiastes: = Qohelet, de Haroldo de Campos) e ela mo devolveu com uma pequena, delicada, misteriosa folha em branco.

Até hoje leio em sua alvura a multidão de mensagens cifradas que cabem na pequena folha. Sei que foi um silêncio eloqüente!

Alice

Um pouco antes da bailarina mórmon, havia a Alice.

Meu deus, que foi aquilo? Parece que desço agora, sem peias, nesse transbus da memória que me leva a uma profunda Feira de Ciências.

A madrugada gélida ainda está lá atrás, numa são bernardo que já não existe aqui fora.

"If I were a swan, I'd be gone. If I were a train, I'd be late. And if I were a good man, I'd talk with you more often than I do".

Lembro-me da noite fria que tornava a melodia de Waters penetrante.

Jorge Odara

O Jorge era ator e autor de si mesmo, o que no fundo faz dele um impenetrável mistério.

Conheci-o pelas ruas de São Bernardo, sorrindo para as estátuas, dormindo com as estrelas, sonhando com o amanhã.

Chegando sempre atrasado, ele é que estava à frente!

Partiu como chegou, suave como a brisa de uma tarde esquecida.

Ariel Dennis Denstone

Vim de Pindamonhagaba pensando... rádios velhos, válvulas, som, o quartinho úmido da casa modesta situada nos Antares...

Como ele pode inventariar meu passado num lance de olhar?

O Ariel está muito além dele mesmo. Transpôs o arco das aparências confortáveis e padece no calabouço interior. Seus olhos continuam uma porta aberta à terra do fogo, uma patagônia imemorial que resiste ao tempo nalgum ponto entre a São Bernardo embaciada e as estrelas fulgurantes da segunda galáxia.

Transbus e transístor: transido pela trampa de memória!

Memórias & marmitas

Deitando nomes ao léu: Taquara, seus olhos marinhos não cabem na marmita.

Deus sabe que não estou louco o suficiente.

Mas um dia, quem sabe, alguém lançará uma pergunta ao Google_Universe com as tags - Taquara .AND. Marinho .AND. Marmita - e a minha história será contada. Minha e a de minha mãe também.

Que labirinto minóico! Do Minho ao Minhoca, tudo é terrinha da memória!