domingo, dezembro 31, 2006

E o concreto... é abstrato!

Vi o seu blog, lindo. Sabe, você sofre de um mal incurável: poesia.

Coitado do meu amigo cartorário imobiliário! Apaixonado por palavras, elas se deixam enlaçar por você, fluem lépidas e fagueiras por seus dedos... Drummond sofria mais - "lutar com palavras é a luta mais vã, enquanto lutamos, mal rompe a manhã".

Tentei deixar um recado no seu blogue, mas não consegui; tentei, tentei, desisti e pedi para o Marco Aurélio dizer para você que estive lá e achei lindo, as crônicas perfeitas.

Fiquei pensando: como pode uma pessoa que lida com coisas tão concretas (imóveis) sofrer de poesia? Ter alma de poeta? Isto não tem cura, não tem jeito não...

É isso que me encanta em você: sua sensibilidade, sua coragem em voltar à época das jabuticabas, da criançada de pé no chão. Agora as crianças gostam? Você precisa escrever um ensaio sobre isto. Sugiro um título "De como um concreto e abstrato provou que os antigos tinham razão."

Mirtes Crosara.

Um comentário:

Sérgio Jacomino disse...

Olá Mirtes,

A foto é 93, 94... sei lá! Sei que foi uma peregrinação a Cardoso, meu Egito de agitos interiores, minha "caminha dura" entre as estrelas, o calor intestino e o Rei do P.

Foi uma visita de honra, um agradecimento familiar, um ritual com tudo de cerimonioso que uma retribuição simbólica pode ter.

Ah! Cardoso. Inquirições com tintas gregas, pesado cardo, fosso na alma, rito de passagem.

Eu te amo, querida amiga, por me ter estendido as pontes generosas e as flâmulas de sua gen gentil.

(Viu? agora sou eu a postar um comentário a uma postagem sua...).