sábado, maio 06, 2006

Parque Dom Pedro II

Lá pelos costados do Parque D. Pedro II, onde os torrões bordavam os delicados xadrezes achocolatados deixados pela chuva, havia uma relva juncando um tapete de pequenas flores amarelas e brancas.

Ali imperava um silêncio absoluto, singular, essencial.

Pensando bem, acho que naquele sítio se achava um portal que me permitia transpor as dobras do tempo e do espaço.

Sempre retornava àquele ponto. Buscava um reencontro com os elementos arcaicos que ainda tingiam de eternidade a alma do pequeno menino que colecionava moedas.

Aprendiz de numismatógrafo, tinha uma especial, de bronze, que a prima ruiva havia me presenteado.

Não sei bem por que permiti a moeda rolar no tapete fresco de ervas. Não caiu de minhas mãos inadvertidamente. Não! Deixei-a experimentar o solo úmido, aninhar-se na terra que recendia a chás e cortiça.

Traído naquele instante magnífico, me dei conta, de repente, de que amava aquela moeda e que era preciso recuperá-la imediatamente, custasse o que custasse. Minha vida se resumia simplesmente em reconquistá-la, tomá-la de volta de quem a detinha de modo tão perito e solerte.

Mas as moedas se perdem na relva... Esse parece ser o seu destino.

Eu não pude encontrar em toda a minha vida razões suficientes que me permitissem afirmar que para outra coisa existissem!

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