Um dia instalaram uma roda, um brinquedo de girar, na vasta relva que existia nos interiores do Parque D. Pedro II.Cimentaram a base, calçaram a haste, ancoraram o bólido que ameaçava alçar vôo com um mundo de crianças excitadas a bordo.
As professoras advertiam: Não subam na roda! É preciso secar o cimento! — repetiam numa linguagem incompreensível.
Qual o quê! Era impossível ver a roda estática. Tão natural quanto o desejo de voar era a vocação da roda de rodopiar, ora bolas!
E assim os meninos embarcaram no admirável disco que pendia manco, adejante, carregando para cima e para baixo, em movimentos irregulares, os pequenos passageiros e seus sonhos.
Fecho os olhos e tudo gira, revoluteia, volta, e na circularidade desses movimentos chego a acreditar que aquelas manhãs cristalinas no Parque D. Pedro II serão mesmo para todo o sempre eternas!
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