Acordei com o outono batendo em gotas da minha janela e senti saudades do eu que ainda há em mim: são bernardo toda nublada e fria e eu ainda aqui, firmando os pés no chão e dizendo: sim, estou vivo!
Uma história dentro da outra. E pensei no dom das palavras que, sem sentido algum, constróem a gente e o mundo e pensei na devastação da morte. Não a nossa particular e egoísta, comum, corriqueira, na verdade fugaz quando acontece. Mas na morte dos outros. A morte que nos indica que o nosso mundo está morrendo.
O que fazer quando não tiver mais a Sonia, o George, o Sérgio, o Adilson, a Irene, a Márcia, a Cristina, o André, a Solange. O que fazer quando, pouco a pouco, de modo inexorável, se for toldando o horizonte? Quando esses olhares não mais trouxerem a alegria e a imensidão desse mundo e suas incríveis visões?
Então uma fúria, uma festa, uma irracional alegria silenciosa, como um vulto feroz andando no escuro se apossa de mim e fico saboreando cada partícula de ar que respiro, cada pedacinho de lembrança que tenho e sigo pelo outono, feliz, quase liberto, sabendo que vocês estão por aí.
Uma história dentro da outra. E pensei no dom das palavras que, sem sentido algum, constróem a gente e o mundo e pensei na devastação da morte. Não a nossa particular e egoísta, comum, corriqueira, na verdade fugaz quando acontece. Mas na morte dos outros. A morte que nos indica que o nosso mundo está morrendo.
O que fazer quando não tiver mais a Sonia, o George, o Sérgio, o Adilson, a Irene, a Márcia, a Cristina, o André, a Solange. O que fazer quando, pouco a pouco, de modo inexorável, se for toldando o horizonte? Quando esses olhares não mais trouxerem a alegria e a imensidão desse mundo e suas incríveis visões?
Então uma fúria, uma festa, uma irracional alegria silenciosa, como um vulto feroz andando no escuro se apossa de mim e fico saboreando cada partícula de ar que respiro, cada pedacinho de lembrança que tenho e sigo pelo outono, feliz, quase liberto, sabendo que vocês estão por aí.
Respirem, respirem e respirem!
Beijos, Waldir Martins
Beijos, Waldir Martins
2 comentários:
E aí, Waldir? Homem que "ri em silêncio", como de v. dizia o meu querido Gus. São Bernardo na transversal do tempo, Bernaux me chegou assim hoje pela manhã: em pacotes de nostalgia e melancolia. Da foto v. certamente se lembrará: foi no velho e bom Cacique Tibiriçá, entre gente estranha, trotskistas e uma linda professora de física. A sua alegria de menino-poeta tocou-me a alma para sempre. Eis-me aqui e agora, Waldir, sobrevivendo às dores das perdas e afinal reconfortado. Afinal, esta é mais uma manhã de outono. E eu a vivi!
. (é só um ponto... não é ponto final. Separa apenas uma frase de outra, ou melhor, uma fase de outra... só isso. Outonos chegam, depois vão. Invernos chegam, depois vão. E assim primaveras e verões e outras estações que não percebemos nessa dimensão. Todas separadas por pontos, mas totalmente integradas em um Tempo sem tempo. Te vejo um dia, Wal. Te vejo um dia. Isso se o Pai me contemplar um desejo. Afinal, um ponto está mais para reticências - aquele sinal que indica que vem mais por aí - do que para ponto final... que, aliás só existe na nossa cabecinha de melão. )
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