quarta-feira, março 29, 2006

A trovoada


Quantos anos faz que eu não testemunho uma tempestade elétrica? Que não me assusto com os estrondos de uma vigorosa trovoada?

Esta noite a forja celeste pôs em pânico o pequeno Pedro.

A madrugada metalúrgica, varrida por rajadas de vento e chuvarada, nos atemoriza com sonhos arcaicos. Colho o Pê em seu berço navegante, resgato essa pequena lanterna do mar de procela repentinamente tornado ignoto. Aninho seu corpinho trêmulo, protejo-o no acalanto de nossa cama. Enlaçado ao pai, seus olhinhos assustados encontram os meus. "Acalme-se meu pequeno menino, fique tranqüilo meu querido homenzinho. A manhã tarda, mas a noite e os trovões passarão".

Adormeceu nos meus braços. Talvez fiquem gravadas no fundo da alma desse pequeno a fortaleza e o conforto de um colo amigo e seguro. O colo do seu pai.

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