quarta-feira, março 29, 2006

Os caminhos de Santiago


A manhã abriu-se em chuva colhendo os meninos mal dormidos. A noite de estrondos e luzes os aninhou no conforto da grande cama dos pais - mãozinhas entrelaçadas, pés descalços e frios, os narizinhos apontando para o alto, escapando das cobertas de algodão branco. Olhando muito bem, somos uma linda família sonolenta.

Como é lindo vê-los de pijaminhas coloridos, a Lelê enlaçada com o seu cachorrinho laranja (Bilu, presente da PAC), o Pê confortável com o travesseiro nos pés e o Thiago na sua diáfana nau de véu, algodão e lã.

Despertei com a chuva generosa tamborilando no telhado. Pensava que era uma sinfonia complexa, um contraponto atonal. A mãe, deitada ao lado, recupera as energias gastas pelas mamadas pontuais da madrugada. A Lelê recostou-se aos pés da cama e se nega a abrir os olhos; o Pê se esconde no algodão alvo e o Thiago, bem, o Thiago vocaliza uma língua de anjos que só as mães e os loucos compreendem.

Antes de sair para as ruas alagadas dessa Paulicéia que se afoga em dramas e lama, resolvo flagrar o Thiago ao lado da janela - ele que é tão pouco comentado aqui.

Meu lindo Thiago, hoje vendo as fotos recém sacadas percebi que v. é muito parecido comigo. Pela primeira vez enxerguei-me com nitidez em você, projetado em seu rostinho de frade franciscano - no que pesem os comentários da madrinha, sempre respeitáveis, que vê em sua face os traços do Pê.

Um comentário:

SMP disse...

Que lindo que é seu filho, Doutor Sérgio! Sua humanidade de pai, de filho, de amigo é uma lição de vida e transforma este blog numa pérola de ternura. Abraços.