
Os cafés que a minha querida Íris tanto aprecia de habituais têm somente a promessa inadimplida.
É um fato incontroverso, Lila! Contra fatos não há argumentos. Não, não me venha com a sua frase predileta! (diz ela que facts are stupid things, parafraseando Ron Reagan). Tollitur quaestio!
Hoje vivi uma aventura hilária com essa moça atrasada.
Já falei do aguaceiro que dissolve em dramas a cidade de São Paulo. Meti-me num táxi encharcado e desci a tumultuada Higienópolis para um breve encontro com a Íris no Ráskal. Afinal, tantas vezes descumprido o compromisso do café, quem sabe num almoço acertaríamos o eterno descompasso de nossos ponteiros?
O prazo era exíguo, o trabalho nos espera, engolimos a ração e acredite: nem um café foi possível. Ela me pede (e eu não nego) "acompanhe-me até o estaciô...", assim mesmo, parecendo ganhar tempo encurtando as palavras.
E lá vamos nós. Descendo no cubículo atulhado de gente úmida e aborrecida pergunto bem baixinho: "v. sabe o setor"?. Responde-me com impaciência: "Claro! Setor P".
Muito bem, saindo do caixote freqüentado por cães & cia. fomos à cata da tal alameda "P".
Foi só ver as pilastras, uma após outra, às centenas sucedendo-se, e eu me dei conta instantaneamente de que o "P" gravado nos costados das colunas era simplesmente a marca universal de parking.

Ainda tardando alguns segundos para compreender exatamente o que ocorrera, minha apressurada guria deixou-se cair em perplexidade, os olhos vazados e as chaves tilintando na mão.
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