Ainda muito pequenina, íamos freqüentemente à fonte que se acha no costado do lindo Hotel Maksoud Plaza, na São Carlos do Pinhal.
Ali ficávamos completamente absorvidos, encantados pela revolução contínua das águas que brotavam generosas entre jatos e borbotões.
Era um espetáculo que me furtava as palavras.
"Aquidance" - assim o fenômeno foi logo batizado pela língua afiada da pequena Lelê. Água-que-dança > aqüidança > aquidance; simples assim.
Pensando bem, a palavra é linda. Já esquecida, como tantas outras, dormitou alguns anos, jazendo tranqüila no veio insondável dos aqüiferos da alma.
Hoje, contudo, irrompeu cristalina, como num lance de chafariz, colhendo-nos na cerimônia do banho vespertino da pequena Nena.
Logo fui arrebatado. Sentei-me ao seu lado, senti o piso molhado e assim me deixei lavar, por dentro e por fora, pelas águas que ainda dançam coloridas na infância que se avista nas profundezas do lago.
Lá do fundo, minha mãe me observa tranqüila e serena. Sabe que o seu pequeno haverá de percorrer ainda um longo caminho até o Mar.
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