sábado, outubro 25, 2008

Amélia Jacomino


Minha querida mamãe.

Faz apenas sete anos que v. partiu. Deus sabe que um setênio pode representar um grande salto.

Neste mesmo ano, faz apenas sete dias, seu sobrinho Pedro partiu.

Partidas e chegadas. Noites de sonhos e manhãs ensolaradas.
Pesa-me a memória, mamãe. Responsabilizo-me por manter acesa a chama do sentido, latente na memória de cada uma de minhas células.

Revisitando os lugares pelos quais nós passamos - na São Bernardo cinza e deformada, nas ruas que um dia conheceram sua caminhada decidida e corajosa, no rosto de algumas pessoas que ainda resistem - em cada um desses lugares sua imagem se dissolve na irrelevância de outros tempos. Seu rastro se perde pouco a pouco na multidão que povoa esse admirável mundo novo, enclave que desconheço e muito menos compreendo.

Novos tempos.

Sei que não significamos para além de nossa memória afetiva.
A cidade é uma grande mãe!

Estou aqui, minha querida mamãe. Com o coração agradecido pela obra que pude concretizar e pelos sonhos que ainda nutrem minha peregrinação nesse grande e cansado mundo.

2 comentários:

Unknown disse...

Queridas Mães:
Amélias, Terezas, Marias, Benedictas, Bem dita sois. Semeadas por gigantes, Armandos, Angelos... que frutificou, e seus frutos hoje frutificam e gratos reconhecem nessas árvores mátríx seu eterno Amor.

Personagem disse...

Para resistir brava, mas docemente às complicações infinitas, o suave acalanto das mães.
Contra a fadiga do devorar incessante de todas as coisas, o meu amigo formula sem fim as questões que não podem ser resolvidas, as únicas capazes de nos convencer de algo, qualquer coisa.