Faz apenas sete anos que v. partiu. Deus sabe que um setênio pode representar um grande salto.
Neste mesmo ano, faz apenas sete dias, seu sobrinho Pedro partiu.
Partidas e chegadas. Noites de sonhos e manhãs ensolaradas.
Pesa-me a memória, mamãe. Responsabilizo-me por manter acesa a chama do sentido, latente na memória de cada uma de minhas células.
Revisitando os lugares pelos quais nós passamos - na São Bernardo cinza e deformada, nas ruas que um dia conheceram sua caminhada decidida e corajosa, no rosto de algumas pessoas que ainda resistem - em cada um desses lugares sua imagem se dissolve na irrelevância de outros tempos. Seu rastro se perde pouco a pouco na multidão que povoa esse admirável mundo novo, enclave que desconheço e muito menos compreendo.
Novos tempos.
Sei que não significamos para além de nossa memória afetiva.
A cidade é uma grande mãe!
Estou aqui, minha querida mamãe. Com o coração agradecido pela obra que pude concretizar e pelos sonhos que ainda nutrem minha peregrinação nesse grande e cansado mundo.
2 comentários:
Queridas Mães:
Amélias, Terezas, Marias, Benedictas, Bem dita sois. Semeadas por gigantes, Armandos, Angelos... que frutificou, e seus frutos hoje frutificam e gratos reconhecem nessas árvores mátríx seu eterno Amor.
Para resistir brava, mas docemente às complicações infinitas, o suave acalanto das mães.
Contra a fadiga do devorar incessante de todas as coisas, o meu amigo formula sem fim as questões que não podem ser resolvidas, as únicas capazes de nos convencer de algo, qualquer coisa.
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