quarta-feira, agosto 30, 2006

Pedro-pássaro

Meu querido Pedro.

Vê-lo correndo, com tanta graça e harmonia, faz-me lembrar que um dia, há muito tempo, também tinha o gosto de voar. Sonhando meus sonhos mais preciosos, tinha a certeza de que sabia voar, sempre soube!

- Papi, olha meu corridão!

E lá vai o Pepo, voando sobre o prado sem outro obstáculo que não meus olhos incréus. Ainda penso por instantes que não voe. Mas "pensar é estar doente dos olhos", não é mesmo?

Ah! Pepo, nossos sonhos são misteriosos. De repente despertamos num mundo estranho sabendo que somos essencialmente diferentes, que recuperamos um conhecimento que é em si mesmo um poder eficaz de realizar as coisas impossíveis. Voar, por exemplo.

- Papi, olha meu corridão!

E lá vai o Pepo, cerzindo o real com o indizível, entretecendo nossos tempos imemoriais.

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