Diz a lenda urbana que um certo dia, há muito tempo, um caçador destemido abateu um grande leão dourado, decepando-lhe a cabeça rutilante.Desprezado o corpanzil, o troféu foi logo pendurado na parede da grande mansão do cavaleiro, ornando os costados da rica morada.
A carcaça infundia medo. Todos conheciam a cabeça do Leão da Verdade e evitavam-na, principalmente nas noites claras.
Ocorre que aquele leão era um animal sagrado. Ao cair da noite, quando o silêncio deita seu manto aveludado sob as estrelas, e a lua descansa um lençol de prata sobre as ruas desertas, o Leão desperta, perguntando a quem quer que passe sob sua juba de ouro e nácar:
- aonde você vai?
E era necessário responder à pergunta, sem medo nem falsidades. O leão exigia que se dissesse sempre a verdade.
- Pápzi, o que é verdade? - fulmina a Lelê interrompendo a história.
- Bem, verdade é o que não muda. Por exemplo, seu nome é Helena, não é? E ele não muda, certo? Esse é seu nome verdadeiro - respondi sem medir muito as palavras e querendo logo reatar a história. Ela atalha:
- Mas... E se eu morrer, como vou me chamar então?
Alguns segundos se passaram - pareciam toda uma eternidade - até que finalmente pude balbuciar que todos nós temos um nome secreto e verdadeiro - "e está guardado bem aqui", apontei o peitinho protegido de flanela e ursinhos coloridos.
Apalpando cuidadosamente com a ponta do dedinho o local indicado, comentou:
- Ah! Sei...
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