Era uma casa ampla, mas sombria. Tinha algo das construções antroposóficas, endurecida pelo concreto aparente, quase brutalista. Havia movimentos na casa. Entes esquivos, de algum modo sensíveis.
Não os temia. Parei diante da parede fria e tive o impulso de atravessá-la. Sabia que podia. Atravessei. Vi-me do outro lado, parado, fitando o muro. Levitava. Não havia gravidade.
Então ele surgiu da parede espessa: um jovem de peito nu, tez marmórea, semblante sereno. Parecia desprender-se da matéria. Arrojava-se. No meio de sua fronte, cravada, desabrochava uma pequena flor carmim.
Acordei. Lembrei-me da flor que um dia ventoso brotara num vaso de barro.
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