O que me leva a esta aventura, dia após dia?
Esperança. E no fundo desta esperança a fé – fé na vida, nos
homens, na família, fé em você e em todos nós que vivemos aqui nesta casinha
amarela de amor.
Você sabe que somente eu, e mais ninguém, deve governar o
timão desta nau e arrostando o imenso mar que é a vida.
Há dias que o mar é tranquilo. Suas ondas são suaves e
acolhedoras. Navego com alegria solar. Outros dias as ondas se encapelam, a
espuma tinge o espelho d´água e um verde profundo se espessa e revela um caldo
insondável e temível, no fundo do qual vislumbro os meus fantasmas, encaro os
meus medos.
Sigo navegando, contudo. Galgando, uma a uma, as vagas
imensas que se formam como paredes e abalam o corpo desta nau sensível e
frágil. E sigo navegando.
Ontem foi um dia proceloso. O mar se agitou em ondas
gigantescas, o céu se tornou uma densa camada plúmbea e eu perdi
momentaneamente o rumo. Retornar ao porto foi muito, muito difícil.
Trouxe no corpo a memória da tempestade. Na boca, o gosto da
batalha. No andar hesitante o cansaço da peleja. Foi uma pugna difícil, mas tão
difícil que só encontrei remédio e conforto na certeza inabalável de que esta é
uma batalha que se trava consigo mesmo. Uma guerra contra o medo interior,
contra as incertezas da vida.
Mas um guerreiro não teme o próprio medo!
Sei
que talvez tenha tangido cordas ocultas e suscitado em seu coraçãozinho um
sentimento de adversidade e afastamento.
Você é minha vermelhinha linda e
o encanto da minha vida. Não deveria ter permitido que se recolhesse sem uma
reconciliação.
Lembre-se que nossas alianças são eternas. Formaram-se antes
mesmo de chegarmos ao útero de nossas mães e avançássemos na marcha sobre esta
Terra dos Homens. E nada, nada haverá de destruir o amor eterno que nos une.
Te amo, filha. Perdoa a aspereza de seu pai.
São Paulo, 12/9/2017.
Papi