domingo, julho 01, 2007

Mamãe e papai juntos

Nesta última sexta-feira, dia 29 (Dia de S. Pedro) concretizei um desejo que minha mãe alimentou ao longo de seus 40 anos de viuvez: unir-se enfim ao papai falecido no longinquo ano de 1961.

Ambos estão depositados agora num lindo jardim.

Não sei exatamente o motivo interior, mas tocado por essa idéia, procedi à exumação de ambos e os levei para um cemitério em São Paulo (da Paz), onde foram sepultados numa tarde radiosa, iluminada por uma cerimônia discreta e solitária. Deitei vinho sobre a relva e orei agradecido.

A viuvez de minha mãe foi um celibato. Ter podido realizar esses traslados, poder ver o esgotamento das virtudes que o corpo sumido anuncia e ter a certeza de que lhes devo a minha vida, com a graça de Deus, fez desse ritual um marco de respeito, amor e dedicação familiar.

Que descansem em paz.

5 comentários:

Sérgio Jacomino disse...

Uma pequena nota apendicular. Na noite do passamento de minha mãe, a Helena foi gerada.

O sincronismo dessa ponte geracional revela relações estranhas. Ora me vêm em sonhos estranhas mensagens, ora são revelações discretas que se insinuam nas atividades mais prosaicas do dia a dia.

Nessa semana em que me detive em fazer uma pesquisa da árvore genealógica, peregrinando cartórios e confrontando dados, tive um sonho assustador. Sonhei que a Lelê se envolvia num acidente. A única coisa que pude fazer foi clamar desesperadamente pela mamãe.

Pude sentir novamente a perda essencial que é romper o cordão umbilical.

Diário de Bordo disse...

Estar morando com minha mãe depois de tudo o que passamos e estar cuidando dela, tem sido uma experiência fundamental.

Não posso dizer que é uma coisa maravilhosa, que nos resolvemos, que a vida é bela e etc...mas vamos podendo organizar parte do que somos.

Estou começando a fazer sua inclusão digital(uma vergonha não ter feito isso antes): pela manhã sentamos no micro e vou ensinando como navegar na net.

Penso sempre no meu pai. Não conheci ninguém da família dele. Só vi meus tios (irmaõs dele) no dia em que ele morreu, no velório e enterro e nunca mais voltei a encontrar.

Ainda tenho a minha mãe, e ela me tem. Não é fácil e não simples, mas é bom, fundamental.

abs
Waldir

Diário de Bordo disse...

Você é um homem de muita coragem. Era isso o que eu ia dizer antes e acabei não localizando e peguei uma carona na sua coragem para falei um pouco da minha história e da minha mãe.

Mas era isso: você é um homem admirável e me sinto absolutamente honrado em ser seu amigo.

abraço grande!
Waldir

Unknown disse...

Os teus pais conseguiram deixar uma herança inestimavel.............voce.
Beth

Vlad' disse...

Havia tempos que não acessava teu blog. Cara vc é demais.
Abraço,
Mi