Estou aqui, bem ao seu lado, tocando de leve sua mão, abraçado ao Pepo, ouvindo atento a voz maviosa da Mami que entoa canções de ninar. Vêm de muito longe as cantilenas recebidas do pai querido e pranteado. Penso que ainda lhe pode ouvir, bem no fundo de seu despenhadeiro, a voz tranqüila e serena que ultrapassa as franjas da serra, se esparrama preguiçosamente pelas reentrâncias de uma São Tomás de Aquino que brota num cantinho da cama forrada de algodão e amor.
Repasso no écran da alma o dia vivido às voltas com atribulações mundanas, preocupações ociosas, sobressaltos, temores, apreensões. Todas as coisas estão cheias de cansaço. Tudo passa, tudo sara, socorre-me a idéia de que já logo não haverá lembranças, nem noites, nem dias. E no entanto, outras lembranças virão, outros dias e noites, maiores ou menores certezas... O rio segue sempre seguro ao encontro do mar.
Aqui de longe, advinho as belezas do caminho e a minha alma se enche de alegrias e esperanças. Feliz natal a cada novo dia!
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