sábado, abril 08, 2006

Eliana, serpentes e galáxias

Ela morava na Vivaldi. Seu andar era suave e silencioso. O olhar oblíquo divisava a luz rebatida, furtava a alma de pobres mortais desatentos.

Acho que era selenita; aborrecia a nitidez estúpida das formas. Parava num outro centro de gravidade, agarrava-se em qualquer lugar imponderável. Imperava o princípio da incerteza.

A Eliana era misteriosa. Acho que tinha uma alma antiga, tingida de traços incompreensíveis. Fazia lindos desenhos como mosaicos, figuras espiraladas, lembravam galáxias, serpentes e cabelos.

Acho que ainda caminha sobre a superfície do planeta.
À sua moda, é claro.

Fonte: Arte bizantina. Mosaico. Convento de S. Adriano, S. Demétrio Corone, Cosenza.

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