sexta-feira, outubro 29, 2021

Eu veio, mami, ainda bem que eu veio...”

Quando lá atrás, você era ainda muito pequeno (acho que tinha 3, 4 anos) aconteceu um evento aparentemente sem importância: ao meu lado, observando extasiado um trator em atividade, você gritava excitado - “ainda bem que eu veio, mami, ainda bem que eu veio...”.

Jamais nos esqueceremos daquele dia chuvoso no Sítio de Patrocínio Paulista. A frase nunca nos saiu da cabeça.

Entretanto, mal sabíamos, àquela altura, que você expressava um mistério profundo e verdadeiro. Não éramos nós, somente nós, seus pais, que nos regozijávamos com a sua vinda a este mundo; era antes de tudo você, querido filho, que nos revelava, na alegria de um dia chuvoso, a verdade das escolhas que definem a vida de cada um de nós nesta pequena família.

Você nos escolheu, Pedro. Mirou uma família simples, um pai metido a intelectual, constelado de livros, cheio de projetos sonhadores, músico, cronista distraído, apoiado por uma mãe suave e amorosa, zelosa, carinhosa. Você nos veio assim, Pedro, chegou-nos como um inesperado broto formoso em nosso jardim. Eis que amanhecemos um belo dia e você estava ali, delicado e suave. A partir de então já não era mais possível imaginar a vida sem você.

Vivíamos então sob o pálio de uma bandeira – “Amor, Justiça e Arte”... Era assim que nos víamos, era dessa forma que buscávamos iluminar nossa jornada, dar sentido aos encontros imponderáveis desta vida. Sob este lema você nos chegou, Pedro, como uma bela doação da vida.  

Nos lembramos de como nos ocorreu o nome Pedro. Nome forte, pedra, rocha... Petrus! O seu nome evoca o espírito de homens que suportam o peso dos desafios que a vida impõe a cada um de nós. Acho que foi o papai que sugeriu o seu nome. Ele dizia que um nome é um grave mistério que se revela ao longo de toda uma vida. Muito do que projetamos sobre os ombros de nossos filhos é o legado de tudo aquilo que de melhor recebemos de nossos pais. Assim nos ligamos aos nossos ancestrais mais distantes, assim caminhamos nesta Terra dos Homens, assim deitamos sementes ao largo do caminho.

Você é assim, filho: forte, generoso, gentil, suave, inteligente. Olhamos para o jovem Pedro e hoje descobrimos, surpresos, um príncipe, frondosa árvore que se expande poderosamente em busca de sol e fortaleza. Ainda não se advinha como serão seus frutos, mas certamente eles virão, chegarão a seu tempo e serão doces, fortes, singulares.

Pedro, seus pais são o solo fértil sobre o qual você hoje se assenta. Você nos chegou assim, de mansinho, resultado de um lindo sonho do casal, ornado de bosques, um rio, tesouros e de um belo jardim. Chegará um dia, filho, em que se lançará à vida em busca de um lema, de uma bandeira, de um propósito nobre e justo. Lutará por “justiça, amor e arte” – como é o lema de seu clã, sua pequena grei. Defenderá quem injustamente sofra, alegrar-se-á com quem se alegra, pranteará com os que choram.

Deus queira, querido e amado filho, que chegue ao termo de seu caminho como quem iniciou essa nobre jornada - suave, amoroso, generoso e gentil.

Nós te amamos com toda a força de nossa alma.

Ainda bem que você veio, Pepo. Ainda bem!

Sérgio & Tânia.