quarta-feira, março 10, 2010

Eu, ela, ele: nós

Nós - mais do que górdios mistérios
que se encerram bem antes
do nó, do novelo, do novíssimo:
sempre fomos de mil formas;

Nós - que nos amamos,
entre anônimos errantes,
antes dos entes e das formas,
antes mesmo de informados;

Nós - que emprestamos sem-sentidos
como estrelas que despedaçam
pétalas, pólux:
Nós em si mesmos;

Nós - que descendemos
em altares velados e esquecidos
e nos encontramos nas paralelas,
na quadratura dos círculos;

Nós - hoje somos voz.
Oração em silêncio.

Nós, antes de todos vós,
ultrapassamos o tempo verbal!

(a propósito de Amélia, Armando e Sérgio Jacomino).

Um comentário:

Personagem disse...

Ali alhures, onde já não há o tempo verbal, veste o monge seu hábito idiomático. Com que sublimado furor o faz – talento ancestral. Ali mesmo, atrás do espelho, desenforma-se para fundir-se na memória herdada sem culpa. Onde melhor o faria, se não no pasto anônimo de todos os nós, o bosque sacro das gerações? Enovelados todos em trítono, frutificados do intervalo inominado. Cópias sem fôrma. Errantes intenções universais. Se quase não me atrevo a tentar pôr palavras é porque o registro do gesto já se fez absoluto no triângulo-perfeita-forma.